Cabeça Livre

Empresas norte-americanas estão fechando porque não conseguem encontrar ninguém para trabalhar. Entenda o porquê.

Em inglês: "Procura-se: entregador (ou entregadora!)". Crédito da imagem: Flickr — Peter Burka \| [CC BY 2.0](https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/)

Em inglês: "Procura-se: entregador (ou entregadora!)". Crédito da imagem: Flickr — Peter Burka | CC BY 2.0

Em uma entrevista recente, o economista Lawrence Summers disse que os seguros-desemprego turbinados do governo norte-americano têm criado uma escassez de mão de obra recorde.

Nos últimos 10 anos, Larry e Roxane Maggio administraram uma delicatessen — a Ludovico’s — no centro comercial de Haddonfield, um bairro de Nova Jersey.

No mês passado, porém, eles prepararam seus últimos pedidos de refeições. O casal decidiu fechar o negócio — “e não porque os negócios vão mal”.

“Simplesmente não conseguimos encontrar ninguém para trabalhar”, disse Roxane Maggio ao Philadelphia Inquirer na semana passada.

Histórias semelhantes podem ser encontradas em toda a América, onde as empresas estão lutando para encontrar funcionários. Em Spokane, Washington, ofertas de emprego “parecem estar em cada esquina”, mas os empregadores simplesmente não conseguem encontrar pessoas para preencher as vagas.

“Tem sido um desafio”, disse Matt Jensen, que atua como Diretor de Vendas e Marketing da Davenport Hotels, apenas uma das muitas empresas em Spokane procurando dezenas de funcionários.

Uma escassez de mão de obra recorde

Essas anedotas não são uma aberração. Os dados mostram que pequenas empresas estão reportando um número recorde de vagas de emprego.

“Acho que estamos vendo evidência crescente de crises de mão de obra”, disse o economista Lawrence Summers em uma entrevista recente à Bloomberg, que destacou uma pesquisa recente da National Federation of Independent Business.

“Você pode ver isso em pesquisas feitas com pequenas empresas, onde estamos em níveis recorde em termos de dificuldade de encontrar mão de obra. Você pode ver isso nos dados sobre vagas de emprego, que estão em níveis quase recordes”, disse Summers, ex-presidente da Universidade de Harvard.

Quando Summers foi questionado se o governo “foi longe demais” em seu último pacote de ajuda, que incluiu benefícios adicionais para seguros-desemprego, que em muitos casos resultou em norte-americanos recebendo mais renda para não trabalhar, ele não hesitou.

“Sim”, respondeu Summers. “Se dermos às pessoas mais dinheiro para não trabalharem do que recebiam quando estavam trabalhando, elas vão ficar de lado.”

Summers, que serviu aos governos Clinton e Obama, passou a descrever a medida como uma política “mal planejada” do governo Biden que pode ter implicações econômicas de longo alcance.

Lei das consequências não intencionais?

Alguns podem atribuir o tiro pela culatra do desemprego à “lei das consequências não intencionais”, como David Westin fez em sua entrevista com Summers.

Embora a consequência possa não ter sido intencional, não era difícil de prever. Na verdade, foi precisamente o que muitos economistas disseram que aconteceria.

“Expandir os seguros-desemprego durante uma recessão tem um resultado previsível: recuperação mais lenta do emprego”, disse Alex Salter, professor de economia da Texas Tech, a Brad Polumbo, da FEE, em fevereiro. “Deveríamos estar ajudando as pessoas a voltarem ao trabalho — não tornar financeiramente mais atraente ficar em casa.”

É por isso que Summers chamou a medida de um “erro não forçado”. Foi a consequência óbvia de turbinar o seguro-desemprego.

Afinal de contas, é meio difícil culpar as pessoas por não quererem trabalhar quando podem ganhar mais dinheiro ficando em casa escrevendo aquele romance dos sonhos, jogando Call of Duty, lendo Jane Austen ou tentando se tornar a próxima estrela do TikTok.

Os incentivos são importantes

Existe um ditado famoso entre economistas: os incentivos são importantes.

Nada harmoniza incentivos melhor do que os mercados, que criam incentivos indiretamente. Incentivos criados diretamente, por outro lado, com frequência resultam em consequências perversas. Por exemplo, o economista Dwight Lee apontou que a antiga União Soviética sofreu com todos os tipos de resultados perversos por criar incentivos diretamente.

“Gerentes respondiam aos incentivos para aumentar a produção de calçados, por exemplo, fabricando apenas alguns tamanhos, dificilmente se importando com quais tamanhos melhor atendiam os consumidores”, observou Lee. “Incentivos como esses afetaram o comportamento das pessoas, mas falharam em promover a cooperação social necessária para uma economia produtiva”.

Esse é um contraste gritante com os mercados, que não “criam” incentivos ativamente, mas permitem que eles surjam naturalmente.

“A economia de mercado é o exemplo definitivo de como um conjunto de regras pode criar um ambiente no qual incentivos privados motivam a cooperação social”, escreveu Lee. “Os incentivos mais importantes vêm dos desejos subjetivos dos indivíduos: o incentivo para encontrar o amor, para ganhar respeito, para fazer do mundo um lugar melhor, para sustentar suas famílias. Os mercados são as regras de conduta que harmonizam esses vários incentivos, tornando possível que as pessoas comuniquem seus desejos umas às outras”.

Os seguros-desemprego adicionais foram essencialmente um erro duplo. Não apenas foram um exemplo de incentivo criado diretamente, mas incentivaram diretamente algo indesejável: o desemprego.

Ao fazer isso, eles criaram uma escassez de mão de obra que deixaram Larry e Roxane Maggio — e sem dúvida muitos outros — fora do mercado.

Os seguros-desemprego adicionais cairão como mais um conto que ilustra o que acontece quando legisladores interferem nos mercados de trabalho. A única dúvida agora é: quão adversas serão as consequências?

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