Cabeça Livre

Ter filhos em 2021 é realmente "vandalismo ambiental"?

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As preocupações com o crescimento populacional não são nada novas. E um artigo recente na Vogue britânica é baseado nas mesmas suposições erradas.

Esse ano, um artigo da Vogue britânica chocou muitos com o título: “Ter um bebê em 2021 é puro vandalismo ambiental?” Nesse artigo, a escritora Nell Frizzell pondera se ter filhos é irresponsável devido aos efeitos que pessoas adicionais têm no clima. Frizzell escreve:

Para a pessoa cientificamente engajada, há poucas questões mais preocupantes quando se olha para a atual emergência climática do que ter um bebê. Quer seu corpo pulse para se reproduzir, quer você passivamente acredite que está nas cartas para você um dia, ou você ativamente procure permanecer livre de crianças, o declínio da saúde do planeta não deixa de ser um fator no seu pensamento.

Frizzell oferece muitas preocupações sobre o futuro do planeta, incluindo a ideia de que os seres humanos ficarão sem água potável e que a poluição do ar agora mata mais pessoas do que o tabagismo. Tudo isso combinado com a preocupação de que as crianças dos países ricos contribuam significativamente para emissões de gases do efeito estufa.

As preocupações com o crescimento populacional não são nada novas. Em 1968, os ecologistas Paul e Anne Ehrlich ecoaram o economista do século XVIII Thomas Malthus quando previram fome em massa e revoltas generalizadas devido à superpopulação.

“Em algum momento dos próximos 15 anos, o fim chegará”, disse Paul Ehrlich à CBS News após a publicação do livro The Population Bomb (“A Bomba Populacional”, em uma tradução livre). “E por ‘o fim’ quero dizer um colapso total da capacidade do planeta de sustentar a humanidade.”

O problema? Essas previsões nunca se concretizaram.

Apesar de todas as preocupações, o acesso a alimentos e recursos aumentou à medida em que a população também aumentou. As pessoas têm que gastar menos tempo trabalhando para esses recursos hoje do que em qualquer outro momento da história.

As preocupações de Frizzell têm melhor sustentação? Na verdade, não.

A ONG Human Progress (“Progresso Humano”, em uma tradução livre) tuitou em resposta que as mortes por poluição do ar estão, na verdade, diminuindo. A única razão pela qual superaram as mortes por tabaco é que estas estão diminuindo mais rapidamente.

A poluição do ar pode estar aumentando em alguns países em desenvolvimento, mas isso não é surpreendente. A poluição por partículas em suspensão, o poluente atmosférico mais mortal, encontrado na fumaça e na fuligem, atingiu seu pico em Londres em 1891.

À medida em que os países se desenvolvem, tendem a poluir mais para sair da pobreza, mas à medida em que enriquecem, conseguem pagar o custo que for necessário para ter um ar ainda mais limpo do que tinham antes do desenvolvimento. Essa tendência é conhecida como curva de Kuznets, em homenagem ao economista e estatístico Simon Kuznets, ganhador do prêmio Nobel. Na verdade, os dados acima mostram que há menos poluição atmosférica em Londres hoje do que em 1700.

Então, como é que, apesar de uma população crescente, os recursos, desde alimentos até metais, estão mais acessíveis do que nunca? Para responder a essa pergunta, olhe para o falecido Julian Simon. Ao contrário dos alarmistas, Simon argumentou que nosso mundo está se tornando mais limpo e mais abundante por causa do crescimento populacional, e não apesar dele.

Como isso é possível? Simon admite que o crescimento populacional pode causar problemas no curto prazo devido ao aumento da escassez, mas semeia as sementes para soluções que nos deixam em melhor situação no longo prazo. Ele explica:

Mais pessoas, e aumento de renda, causam problemas de maior escassez de recursos no curto prazo. O aumento da escassez faz com que os preços subam. Os preços mais altos apresentam oportunidades, e convidam inventores e empresários a pesquisar soluções.

Para Simon, as crianças não são apenas bocas para alimentar (ou bocas que expelem gás carbônico, já que estamos falando em poluição atmosférica); assim como as crianças não são apenas um par de mãos. Em vez disso, elas são mais mentes e mais criatividade humana. E pela estimativa de Simon, “mentes importam economicamente tanto quanto, ou mais que, mãos ou bocas.”

Infelizmente para o mundo, Simon faleceu inesperadamente em 1998 aos 65 anos. No entanto, seu trabalho é continuado por muitos, incluindo a ONG Human Progess, que compila o Índice de Abundância de Simon, que narra as melhorias crescentes nas condições materiais da humanidade.

Portanto, embora alguns possam estar preocupados que ter filhos seja “vandalismo ambiental”, meu medo é exatamente o oposto. Temo que aqueles que desencorajam ter filhos inovadores e criativos, por razões ambientais, estejam na verdade prejudicando o próprio meio ambiente que desejam proteger.

Como disse Simon, “nossa cornucópia é a mente e o coração humanos, e não um ambiente natural do Papai Noel. Assim tem sido ao longo da história e, portanto, é provável que assim seja no futuro”.

Portanto, pais, se dêem um tapinha nas costas. Outra mente é uma grande contribuição. Não ligue para os Thanosianos do mundo (veja abaixo, o vídeo tem legendas em português, que podem ser ativadas).

Autor: Peter Jacobsen

Peter Jacobsen é Professor Assistente de Economia na Universidade de Ottawa e Professor Gwartney de Educação Econômica e Pesquisa no Gwartney Institute. Ele recebeu seu PhD em Economia pela Universidade George Mason e obteve seu bacharelado pela Southeast Missouri State University. Seu interesse de pesquisa está na interseção entre economia política, economia do desenvolvimento e economia da população.

Tradutor: Cabeça Livre

Esse texto é uma tradução da matéria originalmente escrita por Peter Jacobsen em 28 de abril de 2021 para a FEE.

O texto original, em inglês, publicado sob a licença CC BY 4.0, pode ser conferido em:

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