Cabeça Livre

Mentiras "cavalares" sobre um remédio que ganhou o Prêmio Nobel

Resumo da história:

  • A TV KFOR publicou uma notícia falsa na qual um médico afirmava que os leitos de emergência em Oklahoma foram inundados com pessoas que usaram pasta de ivermectina equina como tratamento para Covid-19 e sofreram de overdose
  • A história acabou se revelando pura ficção, pois tais casos não ocorrerram. Ainda assim, a KFOR não retirou a história, uma correção foi emitida apenas vários dias depois
  • A ideia de que a ivermectina é um vermífugo para cavalo que representa um risco letal para os humanos é uma narrativa enganosa que visa dissuadir as pessoas de usar uma droga segura e eficaz contra a Covid-19
  • Embora a ivermectina seja usada como vermífugo em animais, também é um remédio para humanos, aprovado pelo FDA desde meados da década de 1990. A ivermectina está na lista da Organização Mundial de Saúde de medicamentos essenciais para várias doenças parasitárias e, como muitos outros medicamentos, é usada off-label para outras doenças e condições
  • Além de ser antiparasitária, a ivermectina também tem potentes propriedades antivirais e até mesmo demonstrou proteger contra danos à proteína spike do SARS-CoV-2

Nos últimos dias, outra mentira grande e gorda circulou sem verificação nas manchetes em toda a mídia. “Ivermectina: por que os antivacinas estão promovendo um vermífugo para cavalos como uma cura para a Covid?” questionou o Independent. Manchetes semelhantes – todas focando no “vermífugo de cavalo” – tem sido veiculadas em muitos outros meios de comunicação.

Parece que a TV KFOR de Oklahoma foi a primeira a publicar uma notícia falsa que fez essa narrativa falsa explodir. Em 1º de setembro de 2021, a KFOR reportou que os leitos de emergência estavam lotados de pacientes que tiveram uma overdose de ivermectina equina. A alegação foi supostamente feita pelo médico Dr. Jason McElyea. De acordo com a KFOR:

O Dr. McElyea disse que os pacientes estão enchendo os hospitais do leste e do sudeste do estado de Oklahoma depois de tomar doses de ivermectina destinadas a um cavalo de tamanho normal, porque acreditavam em falsas alegações de que o vermífugo para cavalo poderia combater a Covid-19.

“As emergências estão tão superlotadas que as vítimas de tiroteios estavam tendo dificuldades para chegar às instalações onde podem receber cuidados definitivos e serem tratados”, ele disse.

Alerta de fake news

Outros meios de comunicação publicaram a notícia, incluindo a revista Rolling Stone, o The Daily Mail (esse, pelo visto, depois excluiu a notícia), o Independent, a Newsweek, o The Guardian, o Yahoo News – que depois publicou uma notícia dizendo que o hospital estava “disputando” a afirmação – e a Rachael Madow, comentarista política da MSNBC.

Só tinha um problema. Era uma notícia falsa (“fake news”, pra usar o termo que está na moda). Poucos dias depois que a notícia circulou pela grande mídia, o Sequoyah Northeastern Health System emitiu um aviso público e o postou na página inicial do seu site, descartando as alegações de McElyea como pura ficção. O aviso já foi removido do site, mas ainda pode ser conferido na página do hospital no Facebook:

Fonte: Northeastern Health System Sequoyah no [Facebook](https://www.facebook.com/NHSSequoyah/posts/4192195714168045)

Fonte: Northeastern Health System Sequoyah no Facebook

No entanto, em vez de retratar o artigo, o que seria apropriado para uma peça que se revelou fictícia do início ao fim, a Rolling Stone simplesmente postou uma “atualização” no topo do artigo, observando a refutação do Sequoyah. Até 7 de setembro, a KFOR não havia emitido nenhuma correção (agora tem uma nota no início da matéria). O The Guardian publicou uma atualização no final do seu artigo, mas não incluiu a declaração do hospital de que nenhum paciente foi tratado para overdose de ivermectina.

Centenas de notícias de jornais também chamaram a atenção para supostos aumentos nas ligações relacionadas à ivermectina para centros de controle de envenenamento nos Estados Unidos. Essas também, ao que parece, são baseadas em dados frágeis. Por exemplo, em Kentucky, o controle de envenenamento relata ter recebido seis ligações relacionadas a overdose de pasta de ivermectina, em comparação com uma média de uma por ano.

O departamento de saúde do estado do Mississippi da mesma forma observou que, embora as chamadas para o controle de envenenamento envolvendo pasta de ivermectina tenham visto um ligeiro aumento, todos os casos foram leves e nenhum exigiu hospitalização devido à toxicidade. Claramente, as pessoas não estão morrendo de overdoses de ivermectina equina, e certamente não estão morrendo por causa da ivermectina oral prescrita e dosada apropriadamente.

Alerta de narrativa falsa

Essa ideia de que a ivermectina é um vermífugo para cavalo que representa um risco letal para humanos é puro esterco de cavalo, jogado contra nós em um esforço para dissuadir as pessoas de usar uma droga segura e eficaz contra a Covid-19.

A intenção é clara. O que nossas chamadas “agências de saúde” e a mídia estão tentando fazer é confundir as pessoas fazendo-as pensarem na ivermectina como um “remédio veterinário”, o que simplesmente não é verdade. Em última análise, o que elas estão tentando fazer é apoiar a narrativa das grandes indústrias farmacêuticas de que a única saída para a Covid é tomar a vacina. Conforme observado em um artigo recente do HuffPost:

Especialistas em saúde – do tipo que pratica em humanos – concordam que a melhor forma de prevenir-se contra a infecção do vírus é se vacinar, usar máscara e ficar longe das multidões.

Em uma postagem no Twitter de 21 de agosto de 2021, a Food and Drug Administration (FDA) disse: “Você não é um cavalo. Você não é uma vaca. Sério, vocês todos, parem com isso”, com um link para um artigo da FDA sobre porque você não deveria usar ivermectina para tratar ou prevenir Covid-19.

A reportagem da MSNBC no vídeo acima é outro exemplo perfeito da narrativa enganosa que gira em torno da ivermectina. O apresentador descaradamente mistura informações, falando sobre a pasta de ivermectina para cavalo em uma tomada e prescrições crescentes de ivermectina na outra, como se os médicos agora estivessem prescrevendo remédios veterinários apenas para apaziguar pacientes desesperados. Ele então passa a se referir ao sucesso dos médicos com a ivermectina como “anedótico”.

O comediante, ex-lutador e apresentador de podcasts Joe Rogan, que recentemente desenvolveu Covid-19 e a tratou com ivermectina e uma série de outros medicamentos, também está sendo malfalado por ousar compartilhar sua história de sucesso. A NPR, por exemplo, reportou:

Joe Rogan disse a seus seguidores no Instagram que está tomando ivermectina, uma droga veterinária para contra parasitas formulada para uso em vacas e cavalos, para ajudar a combater o coronavírus. A Food and Drug Administration alertou contra tomar o medicamento, dizendo que doses animais da droga podem causar náuseas, vômitos e, em alguns casos, hepatite grave.

O vídeo a seguir contém diálogo sem censura

Rogan tomou pasta de ivermectina de cavalo? Não. Ele tomou doses para animais? Não. Como você pode ver no vídeo acima, Rogan conversou com “vários médicos” que lhe disseram para tomá-la e, em última análise, ele o fez e ficou bom, notavelmente rápido. No entanto, a NPR mistura descaradamente o uso veterinário e humano, como se para insinuar que ele realmente tomou doses equivalentes a cavalos.

É importante notar que a FDA não alerta contra a ivermectina oral em baixas doses como rotineiramente prescrita para uso humano. Eles estão alertando contra as doses para animais, que nenhum médico licenciado prescreveria. Em resumo, médicos não estão prescrevendo ivermectina para cavalos, nem a prescrevem em doses cavalares.

OMS: a ivermectina é um medicamento humano essencial

Embora a ivermectina seja usada como vermífugo em animais, também é um remédio para humanos, aprovado pelo FDA desde meados da década de 1990 para o tratamento da oncocercose. Também está na lista da Organização Mundial de Saúde (OMS) de medicamentos essenciais para várias doenças parasitárias.

Como muitos outros medicamentos, a ivermectina também é usada off-label para outras doenças e condições. O lúpus sistêmico e a rosácea papulopustolar, por exemplo, são doenças que às vezes são tratadas com ivermectina. Em 2018, uma patente foi registrada para tratar certas doenças autoimunes com ivermectina.

Quando usada preventivamente para Covid-19, ou como tratamento para infecção aguda por SARS-CoV-2, a ivermectina está sendo usada off-label, mas não há nada incomum ou suspeito nisso. Muitos medicamentos são usados ​​”off-label”. Portanto, quando a mídia alerta que “a ivermectina não é aprovada pelo FDA para o tratamento da Covid-19”, isso essencialmente não significa nada. Certamente não significa que a droga não seja aprovada pelo FDA de forma alguma, ou que seja aprovada apenas para animais.

O fato é que a ivermectina tem várias propriedades diferentes. Além de ser antiparasitária, ela também tem potentes propriedades antivirais e foi demonstrado que protege contra danos causados pela proteína spike do SARS-CoV-2.

Pesquisas mostram que a ivermectina prejudica a capacidade da proteína spike de se ligar ao receptor ACE2 nas membranas das celulares humanas. A droga também pode ajudar a prevenir coágulos sanguíneos ao se ligar à proteína spike do SARS-CoV-2. Isso evita que a proteína spike se ligue ao CD147 nos glóbulos vermelhos e desencadeie a coagulação.

Quanto à segurança, mais de 4 bilhões de doses já foram administradas a pacientes (humanos) desde 1998, e apenas 28 casos de efeitos adversos graves foram relatados naquela época. No entanto, a FDA agora afirma que a ivermectina não deveria ser usada para a Covid-19 porque a droga pode causar “sérios danos”, é “altamente tóxica” e pode causar “convulsões”, “coma e até a morte” – advertências muito mais aplicáveis ​​às vacinas contra a Covid.

A ivermectina é adequada para todas as fases do tratamento

Desde o início, a Frontline COVID-19 Critical Care Alliance (FLCCC) tem tentado divulgar a verdade sobre a ivermectina. O protocolo do FLCCC para profilaxia e tratamento precoce de pacientes ambulatoriais com Covid-19 é conhecido como I-MASK+, enquanto o protocolo para tratamento hospitalar é chamado de I-MATH+. Ambos incluem a ivermectina. Conforme observado pelo FLCCC em um comunicado à imprensa:

Os dados mostram que o medicamento Ivermectina é capaz de prevenir a Covid-19, de impedir que aqueles com sintomas iniciais progridam para a fase hiperinflamatória da doença, e até mesmo de ajudar na recuperação de pacientes criticamente enfermos.

[…] Numerosos estudos clínicos – incluindo ensaios clínicos randomizados revisados ​​por pares – mostraram benefícios de grande magnitude da Ivermectina na profilaxia, tratamento precoce e também na doença em estágio avançado. Considerados em conjunto […] dezenas de ensaios clínicos que surgiram agora em todo o mundo são substanciais o suficiente para avaliar de forma confiável a eficácia clínica.

O presidente e diretor médico da FLCCC, Dr. Pierre Kory, testemunhou os benefícios da ivermectina perante uma série de painéis sobre a Covid-19, incluindo o Comitê do Senado sobre Segurança Interna e Assuntos Governamentais em dezembro de 2020 e o Painel de Diretrizes para Tratamento da Covid-19 do National Institutes of Health em janeiro de 2021.

Os dois protocolos – I-MASK+ e I-MATH+ – estão disponíveis para download no site da FLCCC Alliance em vários idiomas. O racional clínico e científico para o protocolo hospitalar do I-MATH+ também foi revisado por pares e publicado no Journal of Intensive Care Medicine em meados de dezembro de 2020.

Fortes evidências a favor da ivermectina

De 24 a 25 de abril de 2021, a Dra. Tess Lawrie, diretora da Evidence-Based Medicine Consultancy Ltd., presidiu a primeira Conferência Internacional de Ivermectina para Covid online.

Doze especialistas médicos de todo o mundo – incluindo o Dr. Kory – compartilharam seus conhecimentos, revisando mecanismos de ação, protocolos para prevenção e tratamento, incluindo a chamada síndrome de longo curso, descobertas de pesquisas e dados do mundo real. Todas as palestras, que foram gravadas via Zoom, podem ser vistas no Bird-Group.org.

Um resumo de uma página das evidências de ensaios clínicos com a ivermectina está disponível no site da FLCCC, enquanto uma lista de todos os ensaios com a ivermectina realizados até o momento, com links para os estudos publicados, pode ser encontrada em c19Ivermectin.com. Então, o que as evidências mostram? Em resumo, estudos demonstraram que a ivermectina:

  • Reduz a carga viral.
  • Inibe a replicação de muitos vírus, incluindo o SARS-CoV-2 e vírus influenza sazonais. Um estudo observacional de Bangladesh, que analisou a ivermectina como profilaxia pré-exposição à Covid-19 entre profissionais de saúde, descobriu que apenas quatro de 58 voluntários que tomaram 12 mg de ivermectina uma vez por mês durante quatro meses desenvolveram sintomas leves de Covid-19, em comparação com 44 dos 60 profissionais de saúde que recusaram o medicamento.
  • Inibe a inflamação por meio de várias vias e protege contra danos aos órgãos.
  • Previne a transmissão de SARS-CoV-2 quando tomada antes ou depois da exposição.
  • Acelera a recuperação e reduz o risco de hospitalização e morte em pacientes com COVID-19 – A redução média na mortalidade, com base em 18 ensaios, é de 75%. Uma revisão patrocinada pela OMS sugere que a ivermectina pode reduzir a mortalidade por Covid-19 em até 83%.

Quem está realmente seguindo a ciência?

Como observado em 3 de agosto de 2021, em um artigo de revisão de literatura publicado na revista científica New Microbes New Infections, intitulado, em uma tradução livre, “Ivermectina: Uma Droga Multifacetada de Distinção Honrada do Prêmio Nobel com Eficácia Indicada Contra um Novo Flagelo Global, a Covid-19”:

Em 2015, o Comitê Nobel de Fisiologia ou Medicina, em sua única premiação para tratamentos de doenças infecciosas desde seis décadas antes, homenageou a descoberta da ivermectina (IVM), uma droga multifacetada usada contra algumas das doenças tropicais mais devastadoras do mundo.

Desde março de 2020, quando a IVM foi usada pela primeira vez contra um novo flagelo global, a Covid-19, mais de 20 ensaios clínicos randomizados (RCTs) rastrearam tais tratamentos de pacientes internados e ambulatoriais. Seis de sete meta-análises de relatórios de RCTs de tratamento com IVM em 2021 encontraram reduções notáveis ​​nas fatalidades de Covid-19, com uma média de 31% de relativo risco de mortalidade versus controles.

Durante tratamentos com IVM em massa no Peru, as mortes em excesso caíram em média 74% ao longo de 30 dias nos seus dez estados com os tratamentos mais extensivos. As reduções nas mortes se correlacionaram com a extensão das distribuições de IVM em todos os 25 estados com p < 0,002.

Reduções acentuadas na morbidade usando IVM também foram observadas em dois modelos animais, de SARS-CoV-2 e um betacoronavírus relacionado. O mecanismo biológico indicado da IVM, ligação competitiva com a proteína spike do SARS-CoV-2, é provavelmente não específico para epítopo, possivelmente rendendo eficácia total contra cepas mutantes virais emergentes.

Apesar das evidências, a American Medical Association (AMA), a American Pharmacists Association (APhA) e a American Society of Health-System Pharmacists (ASHP) estão agora se unindo para pedir aos médicos que parem imediatamente de prescrever ivermectina para Covid fora dos ensaios clínicos.

Tenho esperança de que os médicos avaliarão as evidências por conta própria e farão o que faz sentido e é melhor para seus pacientes, em vez de atender às grandes indústrias farmacêuticas. E de fato, ao contrário dos EUA que querem eliminar todo o uso de ivermectina, outros países estão começando a usar mais. A Índia, por exemplo, adicionou a ivermectina para Covid-19 à sua lista de medicamentos essenciais.

A Associação Médica Metropolitana de Tóquio também adicionou a ivermectina ao seu protocolo de tratamento doméstico em 13 de agosto de 2021, e o governo da Indonésia não apenas autorizou o uso da droga, como também criou um site que mostra a disponibilidade da droga em tempo real. Hospitais na Indonésia começaram a usar ivermectina em 22 de julho de 2021. Na primeira semana de agosto, os casos e mortes estavam despencando.

Autor: Dr. Joseph Mercola

Dr. Joseph Mercola é o fundador do site Mercola.com. Médico osteopata, autor de best-sellers e ganhador de vários prêmios no campo da saúde natural, sua visão principal é mudar o paradigma da saúde moderna, fornecendo às pessoas um recurso valioso para ajudá-las a assumir o controle da sua saúde.

Tradutor: Cabeça Livre

Esse texto é uma tradução do texto originalmente escrito pelo Dr. Joseph Mercola em 13 de setembro de 2021.

O texto original, em inglês, foi originalmente publicado em:

Devido à censura recente relacionada à Covid-19, o Dr. Mercola tem removido todo o conteúdo do seu site após 48 horas e liberado suas publicações originais de restrições de direitos autorais.

É possível encontrar cópias do texto original na Internet pesquisando com o Google, o DuckDuckGo ou o Brave Search.

Uma cópia em PDF, que eu baixei do site do Dr. Mercola enquanto o texto original ainda estava disponível, pode ser consultada aqui.

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