Cabeça Livre

Proibir sacolas plásticas é uma boa ideia?

Crédito da imagem: Daniel Romero / [Unsplash](https://unsplash.com/photos/DPC8oN2IMcY)

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A poluição do plástico é um grande problema. Em desprezo à nossa cultura “descartável”, pessoas cada vez mais demandam do governo regulamentá-la até que deixe de existir. Cento e vinte e sete países agora têm algum tipo de regulamentação sobre o plástico, alguns têm regulamentações mais rígidas do que outros.

Em 2017, o Quênia aprovou a proibição mais severa, ameaçando aqueles que fabricam, distribuem ou vendem os chamados plásticos de “uso único” com multa de até 40 mil dólares ou quatro anos de prisão.

Alguns aplaudiram a proibição como um sucesso, com o governo alegando que 80% dos quenianos não usam mais os plásticos ilícitos. Ainda assim, como disse uma manchete, “Apesar de [sua] proibição pioneira, o Quênia está se afogando em plástico descartável”. A professora Judi Wakhungu, que instituiu a proibição em sua função anterior como ministra do meio ambiente e recursos naturais do Quênia, refletiu em 2020 que “A geração imoral de lixo infelizmente faz parte da cultura do Quênia, independentemente do status socioeconômico. E, além disso, ninguém quer assumir a responsabilidade pelo seu lixo.”

Estejam essa e outras proibições funcionando ou não, muitos agora reconhecem que tais medidas definitivamente têm consequências inesperadas.

Embora consumidores na Tailândia tenham começado a usar carrinhos de mão, malas e baldes de plástico para transportar seus mantimentos após a proibição das sacolas plásticas no país em 2020, pessoas em outros lugares tipicamente optam por sacolas de papel. Mas, como reporta a Wired, “um dos trabalhos de pesquisa mais abrangentes sobre o impacto ambiental das sacolas, publicado em 2007 por uma agência governamental do estado australiano, descobriu que sacolas de papel têm uma pegada de carbono maior do que as de plástico. Isso ocorre principalmente porque mais energia é necessária para produzir e transportar sacolas de papel.”

De acordo com um estudo de 2011 da Assembleia da Irlanda do Norte, “é preciso mais de quatro vezes mais energia para fabricar uma sacola de papel do que para fabricar uma sacola de plástico” e “91% menos energia para reciclar uma libra de plástico do que reciclar uma libra de papel.”

Uma avaliação do ciclo de vida das sacolas plásticas de uso único e de suas alternativas, feito em 2020 pelas Nações Unidas, ecoou essas descobertas, dizendo que sacolas de papel podem superar o plástico apenas se fabricadas com energia renovável, reutilizadas várias vezes, incineradas após o uso em vez de acabar em um aterro sanitário e/ou se comparadas a sacos plásticos mais grossos do que a média.

Sacos plásticos biodegradáveis, frequentemente permitidos como alternativas, reduzem o lixo. Mas, surpreendentemente, a avaliação da ONU concluiu que os biodegradáveis “podem ser a pior opção quando se trata de impactos climáticos, acidificação, eutrofização e emissões tóxicas”. Em resumo, eles não são a solução ecológica que muitos pensam que são.

Sacos de pano são a alternativa que mais demanda energia, exigindo também algodão e, portanto, terras aráveis ​​e as máquinas para cuidá-las. O cultivo de algodão requer cerca de 5.000 litros de água por libra, o que, a Wired observa, é mais “do que qualquer vegetal e a maioria das carnes”. Um estudo calculou que a distribuição de sacolas de tecido requer oitenta vezes mais navios do que sacolas plásticas e, da mesma forma, oitenta vezes mais combustível, resultando em oitenta vezes mais emissões. “Uma sacola de algodão precisa ser usada 50 a 150 vezes para ter menos impacto no clima em comparação com uma SUPB [sacola plástica de uso único]”, diz a avaliação da ONU. No entanto, um estudo canadense confirmou que “sacolas de compras reutilizáveis ​​podem se tornar um habitat microbiano ativo e um terreno fértil para bactérias, leveduras, fungos e coliformes fecais”, um dos motivos pelos quais muitos locais os proibiram no auge da pandemia de Covid-19.

Além do mais, os plásticos de “uso único” costumam ser reutilizados, e bani-los das lojas teve resultados indesejados. Uma pesquisa recente mostrou que a maioria dos norte-americanos guarda e reusa embalagens e sacolas plásticas. Quando os locais proíbem as lojas de fornecer essas sacolas no caixa, as pessoas acabam comprando sacolas plásticas para usar em seu lugar, e estas tendem a ser mais grossas e, portanto, demoram mais para se decompor.

Por exemplo, a minha cidade, Franklin, Massachusetts, proibiu sacolas plásticas em supermercados e lojas de varejo. Você já viu alguém pegar cocô de cachorro com um saco de papel? Eu também não. Pela primeira vez na vida, tive que comprar sacolas plásticas para recolher as fezes dos meus cachorros e usar nas pequenas latas de lixo do meu escritório e dos banheiros. Um estudo de 2019 mostra que em lugares com proibições como a da minha cidade, as vendas ao consumidor das sacolas plásticas mais grossas aumentaram em até 120%. No geral, concluiu, “proibições de sacolas direcionam os consumidores para menos sacolas, porém mais pesadas”.

Autor: Jon Hersey

Jon Hersey é editor-chefe do The Objective Standard, bolsista e instrutor do Objective Standard Institute e bolsista Hazlitt da Foundation for Economic Education.

Tradutor: Cabeça Livre

Esse texto é uma tradução da matéria originalmente escrita por Jon Hersey em 19 de setembro de 2021 para a FEE.

O texto original, em inglês, publicado sob a licença CC BY 4.0, pode ser conferido em:

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