Cabeça Livre

O que John Galt diria a Will Smith

Uma lição sobre liberdade extraída do tapa que o mundo inteiro ouviu falar.

Eu não sou um ávido seguidor de notícias de celebridades, mas houve uma briga no Oscar anteontem à noite que não apenas está consumindo a atenção da mídia e do público, mas que na verdade também é bastante relevante para as ideias que a FEE (e o Cabeça Livre) promovem.

Vou deixar você pesquisar os detalhes, se ainda não os ouviu, mas foi isto o que aconteceu em resumo: depois que o apresentador Chris Rock fez uma piada sobre a atriz Jada Pinkett Smith, o marido dela, Will Smith – o ator de primeira categoria – subiu no palco e literalmente deu um tapa em Rock que foi transmitido na TV ao vivo. Smith então voltou ao seu assento e de lá xingou o anfitrião.

Como se viu, mais tarde, naquela noite, Will Smith ganhou o Oscar de Melhor Ator. Em seu discurso de agradecimento, Smith se desculpou em lágrimas (embora não para a pessoa que ele atingiu).

De certa forma, essa é uma tempestade num copo d’água. Em um mundo em que governos ao redor do mundo estão travando guerras contra a liberdade, e no caso do governo russo travando uma guerra até mesmo literal contra uma população civil, um artista bem pago atacando outro em um vexame público pode ser considerado uma distração. Mas dado que, de forma apropriada ou não, está chamando a atenção do público, podemos tentar extrair lições disso: especialmente para o bem de crianças e adolescentes.

Para a maioria das pessoas, está claro como o dia quem estava errado naquele palco. Mas pode ser esclarecedor refletir exatamente por quê.

Qualquer jovem faria bem em enquadrar o que aconteceu anteontem à noite lendo “o discurso de Galt” [capítulo 7 do volume 3] do romance best-seller A Revolta de Atlas, de Ayn Rand. Nesse famoso discurso, o personagem John Galt proclama:

Enquanto os homens quiserem viver em comunidade, nenhum homem pode tomar a iniciativa – estão me ouvindo? Nenhum homem pode tomar a iniciativa – de usar a força física contra os outros.

Isso tem sido referido como o “princípio da não iniciação da força”. Murray Rothbard definiu “agressão” como a iniciação da força, e assim a ideia também foi chamada de princípio da não-agressão (PNA). A parte da “iniciação” é fundamental, porque estabelece que o uso da força para autodefesa é legítimo. Entender esse princípio é fundamental para entender a liberdade e a justiça.

As pessoas naturalmente fazem uma pergunta importante ao julgar qualquer conflito violento: “Quem começou?” Mas uma frase mais precisa seria: quem começou a violência? Quem inicialmente violou a pessoa ou a propriedade de outra pessoa?

Will Smith claramente sentiu que a piada de Chris Rock foi ofensiva e desrespeitosa. Ele pode ter considerado isso como prejudicial à reputação da sua família (embora dificilmente possa ser mais prejudicial do que como ele respondeu).

Mas como Rothbard escreveu em A Ética da Liberdade, ninguém tem direito de propriedade sobre sua própria reputação, porque uma reputação “é simplesmente uma função das crenças e atitudes subjetivas a respeito dele contidas nas mentes de outras pessoas”. E uma pessoa “não pode ter nenhum direito de propriedade sobre as crenças e as mentes de outras pessoas.”

Então, a piada de Rock, se foi só por diversão ou se foi desnecessariamente cruel, não violou os direitos de ninguém, e foi Smith quem iniciou o uso da força e estava, portanto, errado.

Pode parecer bobo litigar um tapa de uma celebridade, mas vale a pena esclarecer esses princípios quando eles surgem, porque, por mais que pareçam senso comum, as pessoas os rejeitam o tempo todo, e todos sofremos por causa disso. Por exemplo, a forma como frequentemente usam o termo “microagressão” ameaça o direito à liberdade de expressão ao borrar a linha entre comportamento não violento e iniciativa de uso da força. E a maior parte das políticas públicas hoje usa a força do governo para combater o comportamento não violento que algumas pessoas consideram censurável.

A liberdade está constantemente em perigo, porque a maioria das pessoas não vê claramente a linha que separa a força justa da força injusta. Para salvar a liberdade, precisamos educar o público (especialmente os jovens) sobre as ideias de liberdade, especialmente a não-iniciação do uso da força.

Autor: Dan Sanchez

Dan Sanchez é o Diretor de Conteúdo da Foundation for Economic Education (FEE, “Fundação para Educação Econômica”) e o editor-chefe da FEE.org.

Tradutor: Daniel Peterson

Esse texto é uma tradução da matéria originalmente escrita por Dan Sanchez em 28 de março de 2022 para a FEE.

O texto original, em inglês, publicado sob a licença CC BY 4.0, pode ser conferido em:

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