Cabeça Livre

Censura mata

Sempre que eu escrevo uma dissertação criticando a opinião de um especialista sobre a Covid, imediatamente recebo respostas indignadas. Alguns acham que devo ser um defensor do presidente Trump que bebe água sanitária. Outros me rotulam de libertário perigoso, pois, na opinião deles, eu desafio as “melhores” fontes de opiniões especializadas. 

Entre meus críticos estão pessoas bem-intencionadas que não veem alternativa a não ser seguir as prescrições políticas dos seus especialistas favoritos. Eles não veem que estão no caminho do pensamento antiliberal, anticientífico e autoritário que está colocando em risco o bem-estar de tantas pessoas hoje.

Karl Popper nos ajuda a entender porque uma “atitude autoritária face ao problema do conhecimento humano” atrapalha o progresso científico. Seu ensaio “Sobre as chamadas fontes do conhecimento” aparece em sua coleção Em busca de um mundo melhor.

Popper explica:

A questão das fontes do nosso conhecimento, como tantas questões autoritárias, é uma questão sobre a origem. Interroga a origem do nosso conhecimento, na crença de que esse conhecimento pode ser legitimado por seu pedigree.

Popper explica como a crença errônea de que o conhecimento tem um pedigree nos leva a buscar “‘os melhores’ ou ‘os mais sábios’” para serem nossos governantes políticos. Cometemos o erro de presumir que existem autoridades derradeiras mais adequadas para governar devido ao conhecimento que possuem. Popper explica que não existem tais autoridades derradeiras, e “a incerteza é inerente a todas as afirmações”.

Popper argumenta que, em vez de focar em quem deveria governar, nosso foco deveria ser em “Como podemos organizar nossas instituições políticas de modo que governantes maus ou incompetentes causem o mínimo possível de dano?”

Uma vez que “fontes de conhecimento ideais e infalíveis” são tão impossíveis quanto “governantes ideais e infalíveis”, Popper propôs uma pergunta melhor: “Existe um meio de detectar e eliminar o erro?”

Dr. Fauci afirma que criticá-lo é criticar a ciência. Popper desafiaria essa afirmação autoritária, uma vez que “não existem essas fontes puras, autênticas e infalíveis”.

Para detectar erros, Popper aconselha uma mentalidade de investigação que critica “as teorias e conjecturas de outros”. É importante ressaltar que Popper sugere que nos treinemos para criticar “nossas próprias teorias e tentativas especulativas de resolver problemas”.

Claro, os seres humanos não são muito bons em criticar a si mesmos. Popper diz que em uma sociedade livre isso não será um problema porque “haverá outros que farão isso por nós”.

O que acontece quando não criticamos nossas teorias? O que acontece quando outros são proibidos de criticar nossas teorias? Sem investigação crítica, erros se somam, uma vez que “não existem fontes derradeiras de conhecimento”.

A humildade para reconhecer nossa ignorância motiva a investigação. Popper escreve:

Quanto mais aprendermos sobre o mundo, e quanto mais aprofundarmos nosso aprendizado, mais consciente, claro e firme será nosso conhecimento do que nós não sabemos, nosso conhecimento da nossa ignorância. A principal fonte da nossa ignorância reside no fato de que nosso conhecimento só pode ser finito, enquanto nossa ignorância deve ser necessariamente infinita.

A investigação científica autêntica é impossível quando a crítica é proibida.

A censura sobre o assunto Covid

O biólogo evolucionário Brett Weinstein é um Popper moderno. Weinstein ganhou destaque pela primeira vez em 2017, quando era professor na Evergreen State College, no estado de Washington. Apoiador progressista de Bernie Sanders, Weinstein se tornou uma das primeiras vítimas da cultura do cancelamento quando ele se recusou a apoiar um evento no campus que exigia que pessoas brancas permanecessem fora do campus. O presidente da Evergreen State College, George Bridges, se recusou a proteger Weinstein e sua esposa Heather Heying, então professora de biologia na Evergreen, de uma multidão no campus.

Weinstein e Heying saíram da Evergreen State e agora produzem o podcast DarkHorse no YouTube e dependem, em parte, dos ganhos com publicidade para seu sustento. Conforme a audiência do DarkHorse cresceu, eles se tornaram estrelas da mídia independente.

Hoje, as Big Techs estão atrás de Weinstein e Heying. O proeminente defensor da liberdade de expressão Matt Taibbi escreve: “Weinstein está prestes a se tornar uma das mais proeminentes vítimas de um movimento de censura que é difícil não ver como parte de uma ‘Evergreenização’ mais ampla da América.”

Por que Weinstein e Heying são tão perigosos para a ortodoxia? Durante toda a crise da Covid, eles consideraram visões alternativas. Eles foram os primeiros a considerar a hipótese de que o vírus foi fabricado. Eles consideraram tratamentos com Ivermectina. Agora eles estão considerando a evidência de que as vacinas da Covid são mais perigosas do que estão pintando as autoridades políticas, a mídia e seus especialistas ungidos. É importante ressaltar que eles não hesitaram em questionar a integridade de burocratas como o Dr. Fauci.

Considere a afirmação popperiana de Weinstein de que “um movimento se opõe à ciência quando ele não quer que as afirmações sejam testadas, desafia a aritmética quando suas alegações não somam, ridiculariza o ‘mérito’ quando deseja triunfar por outros meios, buscar censurar quando teme a discussão.”

Weinstein acrescenta: “Aqueles que acolhem tais demandas plantam as sementes da nossa ruína”. Censura significa arriscar nossas economias e nossas vidas.

Rejeitar a investigação científica, Weinstein argumenta, “é efetivamente um convite para uma era das trevas, o que significa uma era em que o progresso pára… Nós devemos a todo custo evitar essa mudança na nossa mentalidade.”

Recentemente, o YouTube removeu um painel de discussão do podcast DarkHorse com o Dr. Robert Malone. Agora o podcast pode ser visto no Odysee, que roda sobre o LBRY, uma plataforma descentralizada de compartilhamento de arquivos baseada em blockchain.

Malone é o criador da tecnologia de mRNA usada nas vacinas contra a Covid. Malone alerta que as proteínas spike podem ser responsáveis ​​por vários efeitos colaterais imprevisíveis, incluindo coágulos sanguíneos e miocardite. Este último é prevalente especialmente em crianças e adultos jovens para os quais o risco da Covid é muito baixo. Exibindo humildade popperiana, os palestrantes admitiram que suas conjecturas podem não ser totalmente precisas. Malone e Weinstein conquistaram esse direito, não de serem obedecidos, mas de apresentarem suas ideias sem censura.

Se houver evidências de que o mecanismo da proteína spike não foi totalmente compreendido, acreditar na ciência significaria você examinar as advertências de médicos e cientistas eminentes.

Não é preciso negar os benefícios da vacina — e Weinstein de fato afirma que a vacina salvou vidas — para perceber que os custos e benefícios de qualquer intervenção médica só podem ser avaliados precisamente com informações não censuradas. Aparecendo no Tucker Carlson, na FOX News, Malone falou sobre os riscos das vacinas: “Nós não temos as informações de que precisamos para tomar uma decisão razoável”. Malone colocou desta forma:

Uma das minhas preocupações é que o governo não está sendo transparente conosco. Sou da opinião que as pessoas têm o direito de decidir se aceitam ou não as vacinas, especialmente uma vez que estas são vacinas experimentais. Esse é um direito fundamental relacionado à ética em pesquisa clínica.

Dr. Joseph Ladapo e Dr. Harvey Risch são professores médicos na UCLA e em Yale. Eles também estão preocupados que os efeitos colaterais das vacinas não estão sendo totalmente explorados. As evidências apontam para riscos de “baixa quantidade de plaquetas (trombocitopenia); miocardite não infecciosa, ou inflamação do coração, especialmente para aqueles com menos de 30 anos; trombose venosa profunda; e morte.” Essa falha em examinar o risco está sendo alimentada por uma estratégia de ridicularizar aqueles que questionam a ortodoxia da Covid. Eles escrevem:

Um aspecto notável da pandemia de Covid-19 foi a frequência com que ideias científicas impopulares, da teoria do vazamento do laboratório à eficácia das máscaras, foram inicialmente rejeitadas, até mesmo ridicularizadas, apenas para ressurgir mais tarde no pensamento mainstream. As diferenças de opinião às vezes têm surgido da discordância sobre o embasamento científico. Mas a motivação mais comum tem sido política.

Outra reversão no pensamento pode ser iminente. Alguns cientistas levantaram preocupações de que os riscos de segurança das vacinas contra a Covid-19 foram subestimados. Mas a políticas de vacinação têm relegado suas preocupações para as periferias do pensamento científico — por enquanto.

Ladapo e Risch alertam que “partidarismo político e ciência” não se misturam:

Autoridades em saúde pública estão cometendo um erro e arriscando a confiança do público por não serem diretas sobre a possibilidade de danos advindos de certos efeitos colaterais das vacinas. Haverá consequências duradouras da mistura de partidarismo político e ciência durante a gestão de uma crise de saúde pública.

Os resultados de tal partidarismo têm sido mortais até mesmo para grupos de pessoas que supostamente são as mais beneficiadas pelas vacinas. Lapado e Risch apontam para a rara honestidade de um relatório emitido pela Agência Norueguesa de Medicamentos, tendo “revisado arquivos de casos para as primeiras 100 mortes relatadas de residentes de lares de idosos que receberam a vacina da Pfizer”. O impacto da vacina não foi salutar: “A agência concluiu que a vacina ‘provavelmente’ contribuiu para a morte de 10 desses residentes por meio de efeitos colaterais como febre e diarreia, e ‘possivelmente’ contribuiu para a morte de mais 26”.

O CDC reconheceu a realidade da miocardite induzida por vacina. O reconhecimento veio com uma declaração de que o CDC acredita que os benefícios da vacina excedem os custos. O FDA emitiu uma etiqueta de advertência sobre miocardite.

Para alguns, o CDC é o padrão ouro para orientação médica; para outros, sua orientação é perigosamente falha. O Dr. Vinay Prasad, professor de epidemiologia da Universidade da Califórnia, escreveu sobre a orientação mais recente do CDC:

As diretrizes atuais do CDC são tão pobres que eles recomendariam a um garoto de 15 anos que documentadamente se recuperou da Covid-19 e contraiu pericardite na primeira dose seguir em frente e tomar a segunda dose.

Podemos parar um minuto para contemplar o quão incrivelmente negligente isso é?

O Dr. Prasad é claro: “As vacinas contra a Covid para crianças não deveriam obter autorização para uso emergencial”.

Diante da censura no mercado de ideias, e diante do clientelismo conduzindo as políticas públicas, como um pai pode pesar os custos e benefícios da vacina para seu filho?

O Dr. Martin Kulldorff, professor de medicina em Harvard, e o Dr. Jay Bhattacharya, professor de medicina em Stanford, escrevem:

A ideia de que todos devem ser vacinados contra a Covid-19 é tão equivocada quanto a ideia antivacina de que ninguém deveria. A primeira é mais perigosa para a saúde pública.

Kulldorff e Bhattacharya estão particularmente preocupados com a “intensa pressão para que jovens adultos e crianças se vacinem”. Eles escrevem: “Sob tal incerteza [sobre os efeitos colaterais das vacinas], leis que obrigam a vacinação são antiéticas. Presidentes de universidades ou donos de empresas não deveriam exigir uma intervenção médica que possa ter consequências terríveis para a saúde mesmo de algumas poucas pessoas sob sua responsabilidade.”

As conclusões de Kulldorff e Bhattacharya são como as de Lapado e Risch:

As universidades costumavam ser bastiões da iluminação. Agora, muitas delas ignoram análises básicas de benefício-risco, que são como grampos na caixa de ferramentas dos cientistas; elas negam imunidade à infecção natural; elas abandonam a perspectiva internacional global por um nacionalismo estreito; e elas substituem confiança por coerção e autoritarismo. A obrigatoriedade da vacina contra a Covid-19 ameaça não apenas a saúde pública, mas também o futuro da ciência.

Weinstein, Heying, Lapado, Risch, Malone, Prasad e muitos outros discordam de um cheque em branco para vacinações contra Covid.

Na ausência de mandatos de vacinas emitidos por faculdades e escolas, aqueles que discordam do CDC seriam livres para fazê-lo. A posição do CDC e do FDA é semelhante a emitir uma etiqueta de advertência sobre os cigarros e, em seguida, obrigar o fumo.

O Dr. Francis Christian é professor clínico de cirurgia geral na Universidade de Saskatchewan. Autodenominado “médico pró-vacina”, ele foi demitido por emitir uma declaração pedindo que os pais exerçam o “consentimento informado” sobre as vacinas contra a Covid. Christian escreveu:

A pessoa por quem o medicamento, a vacina, o tratamento ou a intervenção é administrada deve sempre deixar o paciente totalmente ciente dos riscos da intervenção médica, dos benefícios da intervenção e se quaisquer alternativas existem à intervenção. Isso deveria se aplicar particularmente a uma nova vacina que nunca antes foi testada em humanos.

Ele acrescenta:

Eu não encontrei uma única criança ou pai vacinado que tenha sido adequadamente informado e que entenda os riscos dessa vacina ou seus benefícios.

O Dr. Christian aponta para alternativas. Desde o início dessa pandemia, Fauci, Bill Gates e outros nos disseram que a vida não poderia voltar ao normal até que alcançássemos a imunidade coletiva por meio das vacinas. Para que o FDA emitisse uma Autorização de Uso Emergencial para vacinas contra a Covid, não deveria haver “alternativas adequadas, aprovadas e disponíveis”.

Fabricantes de vacinas contra a Covid estão isentos de responsabilidade e o governo garantiu que eles também sejam protegidos contra a concorrência. Parece ser uma lei de apadrinhamento em que a ganância do apadrinhado é máxima e a preocupação com os outros é mínima.

Considere a Ivermectina, um medicamento genérico com um longo histórico de segurança. Weinstein e outros argumentam que a Ivermectina não apenas é um tratamento eficaz, mas também um potencial profilático contra a Covid. Weinstein, Heying e seus convidados defenderam estudos mais aprofundados da Ivermectina. Matt Taibbi documentou recentemente como a consideração e o uso de Ivermectina se tornaram questões políticas.

As Big Techs rotineiramente censuram reportagens sobre os danos da vacina e alternativas às vacinas. A censura é o produto de uma mentalidade anti-liberal, anticientífica e autoritária. A censura mata porque a tomada de decisões é distorcida.

Considere o conhecimento das propriedades desinfetantes do sabão e da água. Imagine um mundo onde esse conhecimento foi censurado em favor do tratamento com antibióticos para todas as feridas: pessoas morreriam desnecessariamente e os antibióticos seriam usados ​​em excesso.

Nossa responsabilidade

Popper interpreta o princípio de autonomia de Kant como a “compreensão de que nunca devemos aceitar o comando de uma autoridade, por mais elevada ou admirada que seja, como a base da ética. Pois sempre que formos confrontados com o comando de uma autoridade, sempre cabe a nós julgar, criticamente, se é moralmente admissível obedecer.”

Popper permite: “pode acontecer que a autoridade tenha poderes para impor seus comandos, e que nós sejamos impotentes para lhe opor resistência.”

Hoje ainda não somos impotentes para resistir aos censores. Nós podemos reconhecer nossa ignorância e nos engajar na investigação. Nós ainda podemos buscar e encontrar pontos de vista alternativos e considerar evidências desconcertantes. Nós podemos resistir ao impulso de nos autocensurar e, em vez disso, compartilhar o que estamos observando e aprendendo. Nós podemos rejeitar a autoridade como base da nossa ética pessoal. Popper escreve: “se nos for fisicamente possível escolher nossa conduta, então não podemos escapar da responsabilidade final”.

Lex Fridman é um cientista pesquisador do MIT e apresentador de um podcast popular. Recentemente, ele recebeu Weinstein em seu programa para falar sobre censura. Fridman disse o seguinte: “Ciência é o esforço da mente humana para compreender e resolver os problemas do mundo, mas como instituição, é suscetível às falhas da natureza humana, ao medo, à ganância, ao poder e ao ego.” Para reduzir a incerteza sobre as melhores soluções para a Covid, Fridman argumenta: “Nenhuma voz deveria ter sido silenciada, nenhuma ideia deixada de lado. Dados abertos, ciência aberta, comunicação científica aberta e debate são o caminho, não censura.”

Censores reivindicam o caminho moral elevado; eles nos asseguram que estão coagindo os outros para o nosso próprio bem. Fridman desmonta sua arrogância autoritária: “existem muitas ideias por aí que são ruins, erradas, perigosas. Mas o momento em que temos a arrogância de dizer que sabemos quais são essas ideias, é o momento em que perdemos nossa capacidade de encontrar a verdade, de encontrar soluções.” A conversa que ele teve com Weinstein é maior do que as ideias de Weinstein. Fridman alerta que está em jogo “a própria liberdade de falar, pensar, compartilhar ideias”. Fridman acredita que “essa liberdade é a nossa única esperança”.

A censura distorce a tomada de decisão e destrói a esperança. Para alguns, a Covid é uma questão de vida ou morte. A censura desafia nossa capacidade de tomar decisões responsáveis ​​para a nossa saúde e a das pessoas sob nossos cuidados.

Em 1644, John Milton escreveu:

"Aquele que destrói um bom livro, mata a própria razão." (imagem do site [Pensador](https://www.pensador.com/frase/MTc0ODI3OA/))

"Aquele que destrói um bom livro, mata a própria razão." (imagem do site Pensador)

Hoje, perceba as consequências destrutivas da censura. Fale agora ou corremos o risco de permitir que os algoritmos das Big Techs e as diretrizes da comunidade continuem a destruir a razão, atrapalhar a ciência e minar a esperança da humanidade.

Autor: Barry Brownstein

Barry Brownstein é professor emérito de Economia e Liderança na Universidade de Baltimore.

Ele é colaborador sênior da Intellectual Takeout e autor do livro The Inner-Work of Leadership.

Tradutor: Cabeça Livre

Esse texto é uma tradução da matéria originalmente escrita por Barry Brownstein em 30 de junho de 2021 para o American Institute for Economic Research (AIER, “Instituto Norte-americano de Pesquisa Econômica”).

O texto original, em inglês, publicado sob a licença CC BY 4.0, pode ser conferido em:

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