Cabeça Livre

Por que o esforço para tornar a pandemia "permanente"? (ou: Por que o problema é sempre a liberdade?)

Crédito da imagem: Pxhere

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A Covid-19 é nova. Mas a reação à crise está começando a parecer familiar.

Um ano depois que os americanos receberam ordens de fechar a sociedade por “duas semanas para achatar a curva”, Andreas Kluth, colunista da Bloomberg, advertiu: “precisamos começar a nos preparar para uma pandemia permanente”.

Porque as novas variantes do SARS-CoV-2 são resistentes ​​às vacinas existentes, diz Kluth, e as empresas farmacêuticas nunca serão capazes de desenvolver novas vacinas com rapidez suficiente para acompanhá-las, nunca seremos capazes de “voltar ao normal”.

“Voltar ao normal” significa recuperar a liberdade relativa que tínhamos em nossas vidas (já superreguladas) pré-Covid. Essa é apenas a última de uma longa série de crises que parecem sempre levar nossos sábios governantes à mesma conclusão: simplesmente não podemos mais nos dar ao luxo de ter liberdade.

A Covid-19 certamente não foi o começo. Foi dito aos americanos que “o mundo mudou” depois do 11 de setembro. Os pilares básicos do sistema americano, como a Quarta e a Quinta Emendas, eram antiquados demais para lidar com a “nova ameaça do terrorismo”. Vigilância sem mandado do nosso telefone, e-mail e registros financeiros e abordagem das nossas pessoas sem provável culpa de um crime tornaram-se a norma. Alguns civis com princípios libertários discordaram, mas o público em grande parte concordou sem questionar.

“Mantenha-nos seguros”, disseram ao governo, não importando o custo em dólares ou em liberdade.

Talvez vendo com quanta boa vontade o público apoiou a direita política durante a “Guerra ao Terror”, os autoritários na esquerda impulsionaram sua própria guerra contra a “mudança climática”. Antes interessados apenas em aumentar significativamente os impostos e regular fortemente a indústria, eles agora desejam proibir todo tipo de coisa, incluindo viagens aéreas, carros movidos a gasolina e até mesmo comer carne.

Com a Covid-19, no entanto, até a liberdade de se reunir e de ver os rostos uns dos outros pode ser permanentemente proibida para ajudar o governo a “nos manter seguros”.

Assaltar nossa liberdade não é a única característica que essas narrativas de crises têm em comum. Eles compartilham pelo menos duas outras: previsões terríveis que acabam se revelando falsas e soluções propostas que acabam se revelando ineficazes.

George W. Bush alertou que Saddam Hussein tinha “armas de destruição em massa” capazes de atingir a cidade de Nova York em 45 minutos. Ele criou o Departamento de Segurança Interna e a TSA para prevenir, dentre outras coisas, uma “nuvem de cogumelo” sobre uma cidade grande americana.

Vinte anos depois, sabemos que não havia armas de destruição em massa no Iraque, a ameaça terrorista foi grosseiramente exagerada, e ainda a TSA nunca pegou um terrorista, nem mesmo as duas pessoas que tentaram detonar explosivos escondidos em seus sapatos e cuecas, respectivamente.

O único impedimento eficaz do terrorismo até agora foi a política externa relativamente mais calma durante os quatro anos da administração Trump, durante os quais as operações de mudança de regime cessaram e os principais ataques terroristas nos Estados Unidos virtualmente desapareceram.

Previsões de catástrofes ambientais também se revelaram falsas. Os mais jovens talvez não se lembrem de que no início dos anos 1970, muito antes de a Alexandria Ocasio-Cortez nascer, ambientalistas previam desastres mundiais que posteriormente não se materializaram. Em 1989, a Associated Press reportou: “um alto oficial ambiental da ONU diz que nações inteiras podem ser varridas da face da Terra pelo aumento do nível do mar se a tendência de aquecimento global não for revertida até o ano 2000”. O mesmo oficial previu que a temperatura da Terra aumentaria 1 a 7 graus nos próximos 30 anos.

Ocasio-Cortez é famosa por ter previsto em 2019 que “o mundo vai acabar em 12 anos se não resolvermos as mudanças climáticas”. Mas Al Gore já havia alertado em 2006 que “a menos que medidas drásticas para reduzir os gases do efeito estufa sejam tomadas nos próximos 10 anos, o mundo chegará a um ponto sem retorno”. Então já não é tarde demais, de qualquer forma?

Tal como a guerra contra o terrorismo, a guerra contra a mudança climática nos pede para desistir da nossa liberdade por soluções que não funcionam. Mesmo assumindo que os proponentes da mudança climática tenham diagnosticado o problema corretamente e que não tenham exagerado a ameaça — suposições enormes por si próprias — implementar a solução proposta não resolverá o problema, mesmo de acordo com os próprios padrões deles.

Seus proponentes sabem disso. Os EUA já lideraram o mundo na redução das emissões de carbono sem as disposições draconianas do Green New Deal. Se você os ouvir com atenção, os proponentes do Green New Deal propõem que os EUA abram mão do que lhes restou de liberdade e a prosperidade meramente como um exemplo para as nações em desenvolvimento, que eles supõem que abrirão mão dos benefícios da industrialização já desfrutados pelos países desenvolvidos por causa do brilhante exemplo de uma América acorrentada e ajoelhada economicamente para “salvar a Terra”.

Sem chance, isso.

O último remake desse filme de terror é a Covid-19. Embora seja inegavelmente um patógeno sério que provavelmente matou mais pessoas do que até mesmo as piores epidemias de gripe das últimas décadas (embora isso seja difícil de confirmar, já que as autoridades de saúde pública mudaram a metodologia para determinar uma morte causada por vírus), o governo e seus minions ainda conseguiram exagerar grosseiramente essa ameaça.

Se foi qualquer senso de proporção ao discutir Covid-19. Sim, certamente é possível uma pessoa espalhar o vírus depois de ter sido vacinada ou depois de ter adquirido imunidade natural. Mas qual é a probabilidade disso? É mais provável do que espalhar outros patógenos para os quais já se tem imunidade?

Se não, então por que estamos tratando as pessoas com imunidade de maneira diferente do que tratamos durante pandemias mais perigosas no passado? Da mesma forma, provavelmente é possível que pessoas assintomáticas espalhem o vírus — um pilar fundamental do argumento a favor do lockdown — mas de novo: qual é a probabilidade disso?

A teoria que a Covid-19 poderia ser espalhada por pessoas assintomáticas foi originalmente baseada no caso de uma mulher solteira que supostamente infectou outras quatro pessoas enquanto ela mesma não apresentava sintomas. Anthony Fauci disse que este caso “sepulta a discussão”.

O único problema foi que ninguém havia perguntado à mulher em questão se ela apresentava sintomas na época. Quando se descobriu que sim, o estudo sobre ela foi retratado. Um estudo feito na sequência “não ligou nenhum caso de Covid-19 a portadores assintomáticos”, e ainda outro depois concluiu que a transmissão da doença por portadores assintomáticos “não é o principal fator de disseminação”. Mesmo assim, as políticas baseadas nessa falsidade, como lockdowns e forçar pessoas assintomáticas a usar máscaras, permanecem em vigor.

Mais importante: nenhuma das políticas de combate à Covid-19 impostas pelo governo funciona. Nenhuma revisão retrospectiva conduzida com qualquer semblante de método científico encontrou relação entre lockdowns, obrigação do uso de máscara ou distanciamento social e a disseminação da Covid-19. Na verdade, o estudo mais recente sugere que lockdowns podem ter aumentado as infecções por Covid-19, além de todas as mortes em excesso não relacionadas à Covid que eles causaram.

De novo e de novo, autoritários exageram crises para assustar o público e propor soluções que têm duas coisas em comum: elas demandam mais da nossa liberdade e não funcionam. É sempre tudo dor e nenhum ganho. É de se perguntar quantas repetições dessas manobras de crises serão necessárias até que os cidadãos da chamada “terra dos livres” finalmente pensem em questionar:

Por que o problema é sempre a liberdade?

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Propagando ideias de liberdade.

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