Cabeça Livre

Obrigar o uso de máscaras é seguir a ciência?

Manifestantes queimaram máscaras em Idaho

Manifestantes queimaram máscaras em Idaho

À luz da eficácia incerta das máscaras e das leis que impõem seu uso como uma medida de mitigação para retardar a disseminação da Covid-19, muitos argumentariam que parece tanto não científico quanto inútil compelir as pessoas a usarem máscaras. (As pessoas, é claro, são livres para usá-las, caso seja de sua livre e espontânea vontade.)

É por isso, talvez, que muitas pessoas estão começando a resistir às medidas que obrigam o uso de máscaras para comparecer a encontros presenciais e reuniões públicas.

No entanto, pode ser que menos pessoas percebam que as leis que obrigam o uso de máscaras estão fora do alcance da ciência, mesmo que pesquisas concluam que elas foram eficazes na redução da propagação da Covid-19.

Como observou certa vez o economista Ludwig von Mises (1881-1973), no mundo moderno a ciência há muito tempo é invocada pelo Estado para coagir e ditar as ações dos indivíduos.

“Os planejadores fingem que seus planos são científicos e que não pode haver discordância com relação a eles no meio das pessoas bem-intencionadas e decentes”, escreveu Mises em seu ensaio Caos planejado, de 1947.

A ciência, entretanto, não pode responder a questões morais ou fornecer respostas no domínio dos julgamentos de valor subjetivos. Ela não pode nos dizer o que deveríamos fazer ou o que somos obrigados a fazer.

“Não existe tal coisa de dever científico”, escreveu Mises, ecoando um famoso argumento do filósofo David Hume. “A ciência é competente para estabelecer o que é.”

Muito do debate em torno da Covid-19 decorre do fato de que as autoridades de saúde pública ultrapassaram os limites da ciência. Em vez de fazer recomendações de saúde pública com base em evidências científicas, o Estado começou a usar o poder da lei para coagir os indivíduos a ações.

Os resultados tem sido desastrosos – e assustadores.

Leis que obrigam usar máscaras, lockdowns e outras “intervenções não farmacêuticas” impostas pelo Estado podem muito bem reduzir a disseminação da Covid-19 – embora uma abundância de evidências científicas sugira que elas não o fazem de forma eficaz e ainda trazem consequências indesejadas, algumas das quais são perigosas e mortais.

Mas não chame essas intervenções de “ciência”. Como Mises entendeu corretamente, não existe tal coisa de dever científico.

Autor: Jon Miltimore

Jonathan Miltimore é o editor-chefe da FEE.org. Seus escritos/reportagens tem sido tema de artigos na revista TIME, The Wall Street Journal, CNN, Forbes, Fox News e Star Tribune.

Ele assina textos nos seguintes meios de comunicação: Newsweek, The Washington Times, MSN.com, The Washington Examiner, The Daily Caller, The Federalist, Epoch Times.

Tradutor: Cabeça Livre

Esse texto é uma tradução da matéria originalmente escrita por Jon Miltimore em 9 de setembro de 2021 para a Foundation for Economic Education (FEE, “Fundação para Educação Econômica”).

O texto original, em inglês, publicado sob a licença CC BY 4.0, pode ser conferido em:

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